O fator humano como o maior risco para incêndios

Segundo a Associação Nacional de Proteção contra Incêndios dos Estados Unidos (National Fire Protection Association – NFPA), a entidade que trata das normas-referência de sistemas de proteção seguidas no país, cerca de 4,4 mil incêndios ocorrem todos os anos nos EUA, resultando em uma média de 12 mortes e uma perda total de US$ 287 milhões (RS$ 1 bilhão) por ano. No Brasil, não há uma estatística geral como a americana, mas uma delas chama a atenção: 3% dos incêndios industriais ocorridos nos últimos três anos no País, atendidos em sinistros da AIG, ocasionaram uma perda média de RS$ 6 milhões. O motivo? De acordo com Renata Barcellos, gerente de Engenharia de Riscos da seguradora, devido a trabalhos a quente mal supervisionados, que resultaram numa perda total de propriedade com a interrupção significativa dos negócios e a perda de consumidores, neste caso sem cobertura de seguros.

Esses acidentes, em sua maioria, poderiam ser evitados se as empresas adotassem programas de prevenção de qualidade, que ajudam a reduzir os riscos aos negócios; a controlar fontes de ignição que causam incêndios e a garantir que sistemas de proteção estejam funcionando bem e o tempo todo. Mas, conforme conta Renata, muitas vezes há um menosprezo a esse quesito e, por conta disso, acidentes acabam ocorrendo. Em vistorias feitas pelo time de inspeção da AIG, não foram poucas as vezes nas quais foram encontrados hidrantes, extintores, válvulas de sistemas de sprinkler, portas de emergência com acessos obstruídos ou materiais combustíveis como graxa, óleo e solventes próximos a painéis elétricos, tomadas e até em data-centers. Isso sem falar em painéis elétricos expostos, com acúmulo de pó – que pode ser auto combustível – e assim tornam-se potenciais materiais explosivos, pela geração de faíscas elétricas. “Não se pode cuidar de sistemas de proteção que vão resguardar vidas e patrimônio dessa forma. Eles precisam estar 100% do tempo prontos para funcionar”, alerta.

Um trabalho muito comum realizado nas empresas é o serviço de corte e solda, normalmente realizado por terceiros. “Em inspeções pós-incêndio, já vimos de tudo. O mais comum são trabalhos como esse sem nenhum cuidado, em locais com a presença de materiais altamente combustíveis”, revela o perito e Chief Engineering Officer da Proseg, Antonio Trotta.

São várias as falhas observadas quando ocorre um incêndio, segundo Renata, na maioria das vezes, causado por falha humana, por inexistência de procedimentos de segurança ou por serem deixados de lado, mesmo com consciência do risco. “Por exemplo, imaginem um serviço de solda sendo executado em um ambiente com cabeamento elétrico. O que tem de combustível para queimar? Os próprios fios. Qual o problema de caírem faíscas em fios? Pode derreter o revestimento isolante, que é feito de um material combustível, e haver propagação do fogo. É um material de base de hidrocarboneto, oriundo do petróleo. Por isso temos tanta preocupação com cabos, que devem ser protegidos”, explica. “Precauções precisam ser tomadas e reduzem drasticamente o risco de incêndio”, completa.

Autorização de trabalho

A gerente de Engenharia de Riscos da AIG recomenda que sempre haja autorização apropriada e formal da empresa para que se faça um determinado serviço dessa natureza, que traz um risco anormal para a área. “Quem vai executá-lo deve conhecer a área e os riscos. E antes, durante e depois do trabalho deve haver supervisão. No caso de necessidade de execução de trabalho em áreas onde existam equipamentos que oferecem perigo e que não podem ser removidos, é preciso ter um bombeiro pronto para atuar em caso de emergência, já com extintor e até uma mangueira”, afirma.

Outro item de fundamental importância e que deve ser sempre levado em consideração, conforme Renata, diz respeito ao término de serviço. “A maioria dos acidentes que acontecem com trabalho a quente ocorre depois que o serviço terminou. A pessoa vai almoçar, há troca de turno e ninguém fica ali. Há calor e ele vai sendo propagado. Aí começa um incêndio e não tem ninguém no local para dar o alarme. Muitos acham bobagem, mas não é! Importante fazer um check list e ter pessoas por até quatro horas no local onde foi feito o serviço, pois pode haver risco de incêndio nesse período”, afirma.

Inspeção e manutenção do sistema

O descuido com o sistema de proteção é uma das principais causas de incêndio, com perda total e, supreendentemente, em locais teoricamente bem protegidos. Mas como isso pode acontecer se as empresas fazem grandes investimentos nesse item? “Muitas vezes vemos que coisas simples, e que não deveriam ocorrer jamais, acontecem nesses ambientes, até mesmo pela falsa sensação de segurança das pessoas por saberem que os sistemas existem. Mas, se por exemplo, for deixada por descuido, a bomba de incêndio desligada ou a válvula de governo dos sprinklers fechada, o dano é certo. Há ainda a questão do dimensionamento de equipamentos ou acesso a sistemas construído de maneira errônea”, alerta Renata. “Nós podemos ajudar o segurado em vistorias e recomendações” e até mesmo na revisão dos projetos, informa.

“Deve-se ter atenção também para itens fundamentais: manutenção no sistema de alarme, carga nos extintores, mangueiras bem enroladas, válvulas de sprinklers abertas, bombas de incêndio em automático. É preciso haver manutenção periódica com check list”, alerta Trotta, que também chama atenção para a importância de se ter sempre a mão mapas dos sistemas de combate a incêndio. “A inspeção deve ser semanal para a válvula, mensal para o hidrante, semanal no teste de bombas, com duração de 30 minutos para as que são a diesel, de 10 minutos para as elétricas e trimestral para os sprinklers”, completa Renata.

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